Skip links

O que o filme Toy Story 4 ensina sobre o brincar

A saga Toy Story é uma das mais belas da Pixar. É uma animação que agrada a crianças e adultos!  

Reflexões filosóficas à parte sobre o garfinho que encontrou seu destino, ou sobre o valor da amizade, um aspecto explícito no filme é a capacidade criativa da Bonnie em transformar um garfo descartável, palitos, massinha e tiras em um objeto de apego, um brinquedo.

Fiquei bem emocionada ao final do filme por aprender com a Bonnie que a brincadeira é melhor quando inventada pela criança, sem a estrutura e rigidez da forma adulta. 

Mas, quando vi esse garfinho que foi tão amorosamente criado no filme, por uma bagatela de cento e poucos reais na prateleira de uma loja, meus botões aqui começaram a pensar sobre a lógica do consumo em que vivemos e como o convite para nós é grande para perder o que se vive e correr sempre atrás do que não se tem.

No filme, restos descartáveis se transformaram num objeto simbólico, que se concretizou num brinquedo para ser adquirido e ali, diante da prateleira, vi um negócio estranho, deslocado do que significou para mim no filme. 

Esse brinquedo fofinho da prateleira em nada se parece com o significado da brincadeira inventada pela Bonnie com os objetos que ela tinha à sua volta, aquela que, segundo Vigotski dizia, promove o desenvolvimento da aprendizagem e das emoções. 

Mas o simbolismo que o garfinho ganha no filme impulsiona os pais-telespectadores a comprarem e algumas vezes, validado por discursos de especialistas. 

Oh vida cruel! Oh mídia malvada! Nananinão…

Quem atribui sentido, quem decide consumir ou não qualquer coisa que seja a partir de um filme que se vê é o telespectador, sou eu e você, dependendo de como interpretamos a narrativa assistida.

Brincar é uma das atividades mais importante para o desenvolvimento da criança e na lógica do consumo a gente confunde com ter brinquedos. A consequência? Os armários cheios de brinquedos, as crianças pedindo mais e mais pela beleza que eles têm, mas a brincadeira criativa, mediada por qualquer objeto, realizada com as outras crianças ou com os adultos, cada vez mais esvaziada de sentido. 

Algumas crianças chegam a ter brinquedos, mas afirmam não saber o que é brincar.

Moral da história: para brincar é só começar, não precisa comprar e comprar!

Deixe um comentário

Name*

Website

Comentário

Skip to content