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Depressão na adolescência: como identificar

Depressão na adolescência: como identificar
por Etiene Macedo

Conviver com adolescentes é sempre um desafio! Eles estão num momento de intensa transformação e a família toda é convidada a participar de uma montanha russa de sentimentos.

Muitos comportamentos que eles apresentam podem deixar os pais preocupados quanto ao momento certo de procurar ajuda. Ficam as perguntas: será que ele está bem? É normal? Será que ele está mesmo deprimido? Mas por quê se ele tem uma vida tão boa?

É verdade que hoje existe uma certa patologização da tristeza, esse sentimento que faz parte da vida cada um de nós. Os momentos de tristeza podem ser acolhidos e fazem parte do processo de desenvolvimento humano.

No entanto, em meio à cobrança para que tudo funcione e apresente resultados satisfatórios, há um esforço desmedido entre as famílias para manter as coisas sob controle. E aí, compreender os adolescentes como pessoas que estão buscando se organizar diante das transformações e exigências impostas por eles mesmos e pela sociedade, pode ser desconfortável.

Por que? Porque a família vai precisar aprender a enxergar além da “crise”. Aliás, eu acho que que pensar a adolescência como crise, às vezes pode ser mais um desserviço do que um serviço, se junto da crise temos a ideia de que é passageira, e por isso, não precisa atenção e cuidado!

É aí que mora o perigo! Vivemos dias em que a cobrança pelo saber, pelo poder, pelo sucesso e felicidade a todo custo recaem sobre todos. Especialmente sobre a juventude! Num momento de mudanças hormonais intensas, escolhas decisivas sobre projeto de vida, relações amorosas e tantas outras, alguns adolescentes podem apresentar sinais que representam mais do que a “crise da adolescência”.

Esses sinais são diferentes da tristeza temporária, das oscilações de humor características dessa idade. E hoje vamos falar sobre três deles: explosões de raiva, problemas na escola e períodos de tristeza e isolamento.

Os adolescentes podem estar deprimidos e mesmo assim oscilarem entre momentos de euforia e tristeza, ter ataques de raiva e descontrole, demonstrando muita irritação diante de pequenas e rotineiras dificuldades.

Na escola, as coisas podem estar de mal a pior, notas baixas e falta de motivação. E não por falta de esforço, mas sim porque a capacidade de pensar e se concentrar fica realmente diminuída durante os estados depressivos.

Pode ser que ele não chore na frente dos pais, mas chora em silêncio, nas intermináveis horas em que permanece isolado no quarto. Pode ser que chore para os amigos, ou alguns deles e relate que passa a maior parte do tempo se sentindo triste, vazio ou sem sentimentos.

Observe com carinho! Nem sempre é corpo mole e pode ser sinal de que há muita dor, medo e um peso que ele sente que não será capaz de suportar.

Procure ajuda profissional, amplie a rede de apoio desse adolescente, com os amigos e pessoas de confiança e se mobilize por dentro para começar uma forma diferente de interagir com ele nesse momento. Vamos juntos! Logo escrevo mais sobre isso por aqui!

Forte abraço!

Etiene Macedo Psicóloga com mestrado e doutorado em Psicologia Clínica (UnB). Especialista em Terapia de Casais e Famílias (PUCGO). Professora universitária. Sócia e colunista do Plin.

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