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Automutilação em adolescentes: como ajudar – parte II

Automutilação em adolescentes: como ajudar – parte II
por Etiene Macedo

A automutilação, ou “cutting” é um dos comportamentos entre adolescentes que mais impressionam, até mais do que outros comportamentos de risco, como uso de álcool e drogas.  O ato de se ferir deliberadamente apavora pais e professores e quando acontece, começa um ciclo de vigilância, controle, medo e culpa, principalmente entre os pais.

É impensável que alguém em “sã consciência” se machuque… assim como nos casos de suicídio é difícil aceitar o fato de alguém que “desiste de viver”. Mas, a automutilação em adolescentes não é um sinal de suicídio!

É, em primeiro lugar, uma tentativa de escapar do sentimento avassalador de perda de controle de si, em que palavras não são mais suficientes. O adolescente busca preencher o abismo sentido entre ele e ele mesmo, com a sensação de não ser ele mesmo, de perder o contato com a realidade. O corpo representa esse contato. Ferindo o corpo, é como se ele voltasse a si.

É um caminho que o adolescente encontra para enfrentar o sofrimento associado a sentimentos como: “não sou mais eu”, “estou em colapso”. Tanto que eles geralmente referem “eu sinto alívio, me sinto melhor depois que me corto”.

Mas esses comportamentos, são, ao mesmo tempo, um pedido de socorro. Esse adolescente está sinalizando uma vivência difícil demais para suportar, está pedindo para ser reconhecido em sua estranheza e acolhido nesse sofrimento difícil de traduzir em palavras.

Adolescentes que se automutilam estão em sofrimento. E nosso primeiro desafio, talvez o maior, e ajuda-los a perceber ou criar outras formas de existir e lidar com a dor. Perante a dor, acolha, sugira para esse adolescente um plano de emergência para se comunicar de outro modo, toda vez que ele se sentir que vai entrar em colapso.

Em casa, isso pode ser feito com escuta acolhedora, escuta acolhedora e escuta acolhedora. Mais do que conselhos, mais do que palavras, ter disponibilidade, presença, continência para se comprometer com esse adolescente a buscar outros caminhos. Esses caminhos podem ser psicoterapia, ajuda médica, ajuda de amigos ou pessoas em que ele confia.

 

Fonte:

Le BRETON, D. (2009). Condutas de risco: dos jogos de morte ao jogo de vivir. Campinas: Autores Associados.

Etiene Macedo Psicóloga com mestrado e doutorado em Psicologia Clínica (UnB). Especialista em Terapia de Casais e Famílias (PUCGO). Professora universitária. Sócia e colunista do Plin.

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