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Quando as crianças não querem compartilhar

Quando as crianças não querem compartilhar
por Etiene Macedo

Quando as crianças apresentam dificuldade para compartilhar, ou se opõem àquelas situações em que precisam esperar a vez do outro, ou se recusam a fazer trocas, geralmente começa um problema.

Os pais se preocupam bastante e se isso ocorre em público, a situação fica mais constrangedora. Na tentativa de inibir essas “feiuras”, eles ficam bravos, obrigam-na a dividirem brinquedos, criticam ou até dão palmadas.

Mas, a dificuldade de compartilhar, esperar e fazer trocas é normal para as crianças pequenas. Somente por volta dos 6 ou 7 anos, quando o cérebro está mais amadurecido é que a criança consegue ter um controle maior de suas vontades e impulsos.

O que fazer? Deixar para lá? Nem pensar! Mas também não é certo obrigá-la.

Como ela está aprendendo que existe um mundo inteiro para compartilhar, é importante estimulá-la. E não adianta usar termos difíceis como “você é egoísta” ou  chantagens do tipo “se você não emprestar,  eu vou tomar o brinquedo”.

Para as crianças menores, não faz sentido dar para outra pessoa aquele brinquedo favorito, ou um pedaço daquele chocolate. Ela ainda não tem desenvolvida a ideia de alteridade, de eu-outro. O egocentrismo é normal. Por isso, adote como prática reconhecer momentos em que ela interage com o que você propõe, faça pequenas trocas no dia a dia para que ela aprenda aos poucos essa diferenciação.

Para as crianças maiores, ofereça brincadeiras em duplas ou grupos, ou brinque com ela. Proponha trocar de papel, converse sobre como pode ser divertido compartilhar. Quando chegar a idade escolar, ela vai ter prazer nos momentos de interação com colegas e aprenderá bastante nas brincadeiras e trocas que fizer.

Agora, quando a criança se apresenta visivelmente angustiada com essas situações, pode ser que algo esteja provocando sofrimento.  A criança nem sempre sabe dizer como se sente, então ela age! Ela mostra rapidamente quando algo não vai bem.

Se não for possível observar isso em casa, se você não sabe qual a melhor estratégia para identificar se há um sofrimento importante ou se é algo esperado para a idade da sua criança, busque orientação profissional.

Beijos

Etiene e Flávia

Etiene Macedo Psicóloga com mestrado e doutorado em Psicologia Clínica (UnB). Especialista em Terapia de Casais e Famílias (PUCGO). Professora universitária. Sócia e colunista do Plin.

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