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Como conversar sobre sexo com adolescentes

Como conversar sobre sexo com adolescentes
por Etiene Macedo

Como já falamos no texto Sexualidade na adolescência – parte I,  sexualidade não é a mesma coisa que sexo. É um processo que começa no nascimento e vai mudando até o fim da vida. Cada idade tem um interesse específico sobre o tema.

Na adolescência, esse interesse está voltado a um aspecto da sexualidade: o sexo. Por quê? Porque é um momento da explosão hormonal e quando se iniciam os relacionamentos amorosos e a possibilidade de algum envolvimento sexual em busca de prazer físico e emocional. Nem todos pensam em sexo, mas, quando começam a se interessar por “ficar” e namorar, é até saudável que perguntas comecem a surgir. Quando essas perguntas surgem, começa o jogo da batata quente:  a família espera que a escola tenha respostas, a escola devolve para a família e enquanto isso, o adolescente vai descobrindo por seus próprios meios (nem sempre os melhores) como as coisas acontecem.

Temos observado um número crescente de adolescentes que iniciam a vida sexual precocemente, sem orientação ou aconselhamento sobre saúde sexual. Esse número poderia ser menor se houvesse mais espaço para conversas entre adultos e adolescentes sobre o tema. Mas ainda existem muitos impedimentos. A família fica angustiada pensando que se conversar sobre sexo poderá estimulá-lo antes da hora. É o contrário!

Muitas são as perguntas, mas basicamente elas giram em torno de três eixos: o que, quando e como explicar.

O que?

A verdade. Sempre. Antes que o adolescente inicie qualquer atividade sexual é necessário esclarecer sobre a prevenção das doenças sexualmente transmissíveis e gravidez não planejada.

Mas as principais perguntas dos adolescentes não são sobre DSTs e gravidez. Eles querem mesmo é saber sobre amor, paixão e o sexo para fins de prazer! E eles têm muitas perguntas!

Para que seja possível abordar esse assunto é importante criar um clima acolhedor, numa conversa tranquila, sem segredos e que respeite o a maturidade psicológica desse adolescente. Ou seja, é preciso compreender como ele está vivenciando a sexualidade.

Quando?

Sempre que eles perguntarem. Eles não perguntam? Aproveite situações, exemplos de noticiários para iniciar uma conversa. Vejamos: se um adolescente diz “eu não tenho coragem de perguntar nada sobre isso para meus pais”, então é preciso pensar “como é o diálogo nessa relação entre pais e filhos?”. Também não é necessário que o adolescente pergunte tudo, porque nesse período é natural que ele busque um distanciamento dos pais. Mas o contrário não é recomendado.

Onde?

O melhor lugar para aprender sobre sexualidade é em casa. Embora muitos aprendam na escola, as pessoas ideais para esclarecer dúvidas e orientar são aquelas com quem os adolescentes têm um bom vínculo. E nós imaginamos que seja a família! Profissionais de saúde também podem contribuir muito, mas os informes acabam generalizados e alguns adolescentes  se sentem extremamente constrangidos de fazer perguntas.

Mas, e se meu filho perguntar algo que eu não sei? Peça um tempinho, busque informação sobre o tema e então responda ao que ele pergunta. Mas não se esquive do assunto.

Não adianta fugir, esquivar ou fazer segredos. A curiosidade bate à porta e eles vão atrás das respostas, com ou sem o conhecimento dos pais. Tratar o sexo com naturalidade, isto é, como uma atividade que faz parte do desenvolvimento humano, é respeitar o momento de cada pessoa nesse processo. É ensinar os adolescentes a viverem a sexualidade com respeito pelo próprio corpo, responsabilidade e limites.

Brevemente tem mais desse assunto por aqui! Fique com a gente!

Leia também: Precisamos mesmo conversar sobre sexo com as crianças?

Beijos e beijos,

Etiene

 

Etiene Macedo Psicóloga com mestrado em Psicologia Clínica, doutorado em andamento em Psicologia Clínica (Unb) e pós-graduação em andamento em Terapia de Casais e Famílias (PUCGO). Sócia e colunista do Plin.

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