Plin - Psicologia Infantojuvenil. Site especializado em conteúdo psicológico para crianças e adolescentes

Adoção

Adoção
por Etiene Macedo

Filhos adotivos são mesmo problemáticos?

É sempre bom refletir sobre os reais motivos que levam um casal à decisão de ter filhos. A adoção é uma opção, senão a última, quando casais encontram dificuldades para engravidarem por meios biológicos. Um filho é alguém que precisa de acolhimento e amor para existir. Ele não deve ter a missão de suprir carências ou faltas. E no relacionamento com filhos adotivos essa pressão pode ser ainda maior.

Soma-se a isso a pressão social e a imaginação em torno do filho adotivo: será que ele vai ser normal? Vou conseguir amá-lo? O fato de não ter minha herança genética pode prejudicar nosso relacionamento? Com tantas perguntas, o filho adotivo fica no limbo, sem um lugar legítimo no seio familiar e sem a imersão e entrega em amor, necessárias para a construção do vínculo.

Sim. Vínculos são construídos nas trocas afetivas do dia a dia, na rotina da família e esses vínculos é que tornam legítimos os lugares de pai, mãe e filho.

Assim, não existe mãe verdadeira e mãe adotiva. Por que aquela que adota não seria verdadeira? Mãe é mãe. A distinção entre biológico e adotivo demarca apenas que outra pessoa foi genitora da criança. A relação com um filho adotivo é uma relação comum, recheada de contradições e desafios, como todas as relações entre as pessoas, entre mães e filhos biológicos.

No imaginário social, paira a ideia de que o filho adotivo é alguém fora da norma e que por não estar no ciclo da genética e consanguinidade, trará problemas. Isso é um mito. Pesquisas científicas mostram que os desafios e temores na educação de filhos biológicos e filhos adotivos são os mesmos. Todos temem pelo futuro de seus filhos e ninguém sabe ao certo quais escolhas eles farão quando crescerem.

Para os filhos adotivos, um fator de risco para o desenvolvimento de problemas de comportamento é a separação que os próprios adultos fazem em torno do que é ser um filho natural ou não. A criança cresce sem saber qual é a sua referência e a quem de fato ela pertence.

O senso de pertencimento é uma das necessidades básicas do ser humano e ele é desenvolvido nas relações afetivas que são construídas desde os primeiros anos de vida. Cada experiência em que a criança é aceita, acolhida e amada é como um tijolinho que vai fortalecendo essa construção.

O que fazer então? Mentir, omitir? Negativo. É muito importante que a criança saiba a sua origem e história de vida. Aos poucos ela vai construindo sentidos sobre os eventos e situações que a fizeram chegar até sua família adotiva. Não precisa ser traumático, nem sofrido. Se por um lado houve separação dos genitores biológicos, por outro, houve um encontro em amor, para novos caminhos!

E quando há disponibilidade no coração dos pais para se entregarem aos filhos, dia a dia essa criança compreenderá o sentido de ser adotado. Aliás, adoção significa “aceitação espontânea de alguém como filho”, sendo assim,  todos os filhos precisam ser adotados, aceitos no coração. Mesmo os biológicos. Você não acha?

Com amor,

Etiene

Etiene Macedo Psicóloga com mestrado em Psicologia Clínica, doutorado em andamento em Psicologia Clínica (Unb) e pós-graduação em andamento em Terapia de Casais e Famílias (PUCGO). Sócia e colunista do Plin.

2 comentários para “Adoção”

  1. Ângela disse:

    Parabéns por toda a sua dedicação profissional…. adoro seus artigos que me leva a imensa reflexão ,crescimento e construção da minha maternidade…

    1. Etiene Macedo disse:

      Querida Ângela,
      Muito obrigada pelo carinho! Esperamos sempre poder ajudar nessa aventura do relacionamento com filhos!
      Beijo carinhoso,
      Etiene e Flávia

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *