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O que fazer quando meu filho mente pra mim?

O que fazer quando meu filho mente pra mim?
por Flávia Lacerda

Primeira dica: Fique calmo!

Isso mesmo! A mentira da criança não deve ser vista na ótica do adulto. Quando a criança mente não é uma evidência certeira de “desvio de caráter” ou de uma ação que é meramente manipulativa com o objetivo de ferir os pais e quebrar as regras da família.

Ensinar o que é moral e ético não é feito por meio de brigas e longas discussões. A moralidade vai sendo aprendida a partir do contato com o outro, com as experiências diárias que a criança têm. É com o outro e pelo outro que aprendemos a amar e a respeitar a si e ao próximo e também a perceber que muitas regras sociais ajudam na convivência com as pessoas.

A criança não nasce sabendo mentir. Aos poucos ela aprende que às vezes, ela mente e não é descoberta e que a mentira ajudou a escapar de um castigo. Outras vezes a criança percebe que ao mentir que tem o jogo da moda, alguns amigos se aproximam dele. Por isso, nossa escuta deve ser muito atenta ao nos depararmos com uma situação como esta.  Assim, conseguiremos oferecer uma consequência mais adequada ao comportamento da criança e até mesmo ensiná-la outras formas de reagir e se comportar quando se deparar com situações semelhantes.

Precisamos ouvir a nossa criança antes de qualquer coisa. É pela escuta que conseguimos entender o motivo dessa mentira ter acontecido. Escutar de forma atenta e acolhedora não significa aceitar e achar correto tudo que seu filho faz. Escutar atentamente significa ensinar seu filho uma forma mais respeitosa de se comunicar com o outro e consigo mesmo. Dessa forma ficará mais fácil compreender a função desta mentira, se foi por exemplo, com o objetivo de evitar uma bronca ou para ganhar um elogio ou até mesmo como uma forma de expressar sua raiva ou seu desejo por algo.

Em vez de falar: “Eu sei que você está mentindo! Eu vejo isso nos seus olhos! O anjinho que está lá no céu está vendo tudo! Você sempre mente! Você roubou o brinquedo do seu amigo! Você quer me matar de raiva?”

Descreva o que realmente você percebeu que aconteceu, como por exemplo: “ Filho, encontrei o brinquedo do seu amigo no carro. Por qual motivo você pegou ele?”.  Após ouvir o que seu filho tem a dizer, ofereça uma consequência lógica ao seu comportamento, como devolver o brinquedo e pedir desculpas para o amigo.

 

mentira

 

Por meio das perguntas e do diálogo, a criança perceberá mais claramente que as regras precisam ser cumpridas não somente para evitar uma punição, mas também para respeitar a si mesmo e ao outro.

Um abraço carinhoso,

Flávia

Flávia Lacerda Psicóloga. Mestre em Psicologia (UnB). Facilitadora do Programa Friends for Life - Pathways Health and Research Center. Pós-graduanda Terapia de Casais e Famílias (PUCGO). Sócia e colunista do Plin.

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