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Sexualidade na adolescência – parte I

Sexualidade na adolescência – parte I
por Etiene Macedo

Durante a pré-adolescência, meninos e meninas passam por dramáticas transformações e a sexualidade, que existe desde os primeiros anos de vida, ganha outros contornos. Porém,  se sexualidade é um tema abordado às escondidas entre os adultos, imagina entre os adolescentes!

Existem situações em que nem se toca no assunto, a despeito da explosão hormonal que acontece na puberdade e é visível para todos. Apenas justificamos seus comportamentos com o estereótipo do aborrescente, sem trilhar junto com eles esse caminho de transformação.

Apesar do volume gigantesco de informações sobre a sexualidade dos adolescentes, ainda é difícil abordar esse assunto com naturalidade dentro das famílias. Quando fiz o mestrado e pesquisei o que os adolescentes pensavam sobre esse tema, fiquei surpresa ao saber o quanto eles esperavam mais conversas e mais orientações dos pais.

Mesmo com  algum conhecimento sobre sexualidade e DSTs, suas maiores dúvidas eram de caráter relacional e afetivo: “Como vou saber a hora certa de ter a primeira relação sexual? Sexo se faz por amor ou por curiosidade? Para quem devo contar se tiver uma experiência íntima?

Venhamos e convenhamos, nosso modo de vida é bem contraditório! Para as meninas, desde muito cedo, recomendamos o recato e pudor, ao mesmo tempo em que são estimuladas a se vestirem de modo sedutor. Para os meninos, recomendamos que sejam “pegadores” e que se empenhem na descoberta do próprio corpo e no corpo das meninas.

O resultado dessa confusa repressão é trágico:  homens e mulheres reprimidos, incapazes de desenvolver uma relação afetiva, calorosa e sexualmente prazerosa. Como se afeto e prazer andassem em polos opostos. Isso sem falar na cultura do estupro, que está presente em nossa sociedade e viola diariamente os corpos de crianças, adolescentes e mulheres, quando não mata.

Para o desenvolvimento de uma sexualidade integral, saudável entre os adolescentes é importante evitar estereótipos, permitir que o adolescente fale sobre dúvidas, confusões e questionamentos sobre sua própria sexualidade. Nessa fase, acontecem aproximações de preparo para relação sexual genital. Não é safadeza, ou precocidade, é sinal de transformações, amadurecimento biológico. A loucura hormonal provocada pela testosterona e pelo estrogênio provoca neles uma  necessidade maior de contato físico. Por esse motivo, os toques e carinhos, dependendo do contexto estimulam seus corpos e ganham outro sentido.

O melhor caminho para a prevenção de comportamentos de riscos, gravidez indesejada e DSTs é o diálogo! É fundamental  permitir que eles falem sobre esse assunto em casa. Mas para isso, a sexualidade precisa deixar de ser um tabu entre os adultos, para ser abordada com naturalidade com os filhos. Quando deixa de ser tabu, o conceito de sexualidade se expande para além do sexo, o coito propriamente dito e os preconceitos e estereótipos diminuem.

Vamos continuar esse assunto em breve com perguntas e respostas sobre o tema!

Beijos,

Etiene

Etiene Macedo Psicóloga com mestrado em Psicologia Clínica, doutorado em andamento em Psicologia Clínica (Unb) e pós-graduação em andamento em Terapia de Casais e Famílias (PUCGO). Sócia e colunista do Plin.

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