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O que é melhor? Babá ou berçário?

O que é melhor? Babá ou berçário?
por Etiene Macedo

Escolher a melhor opção para o cuidado dos pequenos que ainda não estão em idade escolar nem sempre é fácil. Quem não pode contar com o auxílio de outros familiares, como os avós,  enfrenta o difícil dilema entre contratar uma babá ou enviar as crianças para berçários. Será que meu filho(a) vai ser bem cuidado se for para um berçário? Será que deixá-lo com uma babá é seguro?

Não há 100% de certeza em nenhuma opção. É fundamental que a família decida em parceira qual escolha será mais segura para a criança. Nos primeiros anos de vida, pequenos precisam de rotina. Regularidade de atividades, de alimentação, sono e inclusive, regularidade de afeto. Ou seja, é importante prover para a criança um ambiente seguro e constante onde ela possa interagir e se desenvolver física e emocionalmente.

Algumas famílias conseguem encontrar babás especiais, que se tornam parte da família. Amam as crianças e são amadas por elas. Existem situações em que se cria um vínculo tão importante, que o apego demonstrado pela criança com a profissional  provoca até ciúmes, insegurança e culpa em algumas mães. Outras ficam tranquilas por saberem que existem pessoas disponíveis para exercerem a função do cuidado com seus pequenos.

Para outras famílias, deixar as crianças em berçários é uma opção mais segura, por acreditarem que haverá menos riscos de violência e negligência. Além disso, o berçário pode se tornar a única opção para a interação dos pequenos com crianças da mesma idade. Os pais também fazem amizade entre si e amplia-se a rede de cuidados e apoio entre as famílias.

O que levar em consideração antes de escolher uma babá ou berçário?

Nenhuma opção será fácil. Nesse sentido, vale considerar o que se adapta melhor à rotina da família. Ter uma pessoa em casa que cuide da criança até os pais retornarem do trabalho ou ter um espaço para deixar os pequenos? Dois aspectos são importantes de se considerar nesse momento: algumas babás tem disponibilidade de excederem horários, alterarem suas rotinas e berçários tem horários fixos que demandam ajustes dos pais. Por outro lado, como qualquer outro profissional, babás estão sujeitas aos mesmos imprevistos que os pais, por isso, podem faltar ao trabalho. Em berçários, há uma estrutura para esses imprevistos.

Também é fundamental observar a resposta da criança nesses ambientes. Quando ela está entediada ou quando recebe estímulos além do que está preparada para receber, os sintomas aparecem: irritabilidade, mudança no padrão de sono e alimentação, oposição e choro. Nesse caso, vale rever as opções disponíveis e mudar se necessário.

Vale a pena visitar berçários, conversar com pais que têm seus filhos nessas instituições, observar a rotina, estrutura física, condições de segurança e higiene, conhecer a formação dos profissionais envolvidos e as relações que acontecem nesses espaços. É bom se perguntar: você tem acesso à direção do berçário? Como é a comunicação com a educadora da criança? Há monitoramento por câmeras? E mesmo que não haja como se dá o manejo das crianças? Os profissionais são atentos às peculiaridades de cada uma? O educador e a direção dispõem de tempo para escutar, responder questionamentos e mostrar na prática como acontecem as rotinas? Como é o clima organizacional entre os profissionais?

Se optar por babás, considere: o que eu espero que essa profissional faça por meus filhos? Essa profissional tem a competência necessária para o que eu desejo? É necessário ter monitoramento por câmeras? Sendo ou não necessário, como é a relação diária da babá com a criança? Como essa profissional estimula a criança?  O que essa babá acha do trabalho que realiza? Lembre-se: uma babá não pode estar em condição de subemprego. Mais do que cuidar, ela também participa na educação da criança. Não significa que precisa ter doutorado no assunto, mas é essencial gostar do que faz e ter competência técnica para essa função.

Se você optar por contratar os serviços de uma babá ou de um berçário lembre-se: é a presença do outro, a relação com o outro que potencializa o desenvolvimento saudável das crianças. Nesse sentido, a melhor escolha é aquela que oferece constância, muito amor e segurança.

Beijos,

Etiene

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Etiene Macedo Psicóloga com mestrado e doutorado em Psicologia Clínica (UnB). Especialista em Terapia de Casais e Famílias (PUCGO). Professora universitária. Sócia e colunista do Plin.

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