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Quando contar a verdade sobre o Papai Noel?

Quando contar a verdade sobre o Papai Noel?
por Etiene Macedo

O mundo do faz de conta, o “como se” é parte essencial  do desenvolvimento humano,  do pensamento criativo que possibilita as invenções do nosso cotidiano. Algo que não existia começa ser imaginado, inventado e concretizado para facilitar a nossa vida.

A capacidade de imaginar é aperfeiçoada ao longo do desenvolvimento cognitivo do ser humano, mas, está presente desde os primeiros anos da infância.  É por meio da fantasia, que se concretiza na brincadeira, que a criança interage com o mundo a sua volta e lhe dá sentido. É imaginando e interagindo que a criança aprende e constrói valores e sentimentos.

Estamos num momento propício para despertar novas emoções nos pequenos!  O Natal, na imagem do bom velhinho que distribui presentes é esperado nas noites festivas. Independente do valor monetário, as crianças nutrem a expectativa de que receberão presentes e mimos de alguém que lhes quer bem e quer fazê-las felizes.

Algumas crianças, perguntam: mas Papai Noel existe mesmo? Quem é o verdadeiro Papai Noel já que eles estão em todos os lugares?

Quando contar a  verdade? Bom,  não existe uma regra sobre o momento certo de dizer a verdade sobre essa fantasia, mas quando as crianças perguntam  (o que quer que seja), elas merecem respostas.

Quando as crenças da criança sobre o bom velhinho dão lugar a questionamentos é sinal de que ela está fazendo conexões cognitivas mais refinadas. E isso é ótimo! O que podemos fazer é abrir o diálogo com ela para saber o que ela já compreende sobre o assunto e então estimular a reflexão sobre as contradições que ela percebe.

Numa conversa em que a criança é convidada a pensar sobre o que observa ela mesma fará a distinção entre a fantasia e a realidade. Nesse momento, é interessante explicar o significado desse ritual para a cultura e para a família. Não significa gerar tristeza na criança pelo fim dessa fantasia, mas construir outros significados e destacar os valores que foram ensinados ao longo dos anos.

Mas se a criança ainda não faz questionamentos e refuta qualquer possibilidade de outras crenças sobre o tema, é sinal de que ela ainda não está pronta para saber a verdadeira origem do Papai Noel.  Também não significa que a criança vai desenvolver problemas psicológicos e viver num mundo de mentiras.

Nesse caso, vale a pena manter a fantasia. Ainda que em nossa cultura ocidental capitalista o Natal traga como objetivo o consumo, é possível  ensinar valores como esperança, generosidade e gratidão. Quando a infância passar, quando “adultez” chegar, os valores aprendidos permanecerão!

Desejamos realmente que você tenha momentos de muito amor e diversão com suas crianças!

Feliz Natal!

Etiene e Flávia

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Etiene Macedo Psicóloga com mestrado e doutorado em Psicologia Clínica (UnB). Especialista em Terapia de Casais e Famílias (PUCGO). Professora universitária. Sócia e colunista do Plin.

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