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A culpa e o relacionamento genuíno com as crianças

A culpa e o relacionamento genuíno com as crianças
por Etiene Macedo

Todos os dias precisamos tomar decisões sobre nossos filhos e as opções para escolher são muitas.  Diante de tantas vozes que dizem o que fazer, insegurança e a culpa batem à porta. A insegurança expressa o desejo de acertar em meio a tantas opções e garantir que tudo dê certo.  Quando o resultado não sai como esperado, segue-se o sentimento de culpa, a tristeza por não ter alcançado o objetivo.

Culpado, o adulto se torna permissivo. Diz sim até para o que não concorda e o resultado são as pequenas majestades diante de súditos pais: no supermercado é um deus-nos-acuda, a hora do almoço é um suplício, receber telefonemas quando as crianças estão acordadas nem pensar e as regras da casa se resumem a um jogo de empurra onde o filho logo percebe a quem recorrer para garantir que seu desejo seja realizado.

O grande obstáculo para dizer não às crianças não está em sua teimosia ou nas birras, mas no sentimento de culpa do adulto. Pela falta de tempo juntos, pela ausência de algum membro da família, ou mesmo pela insegurança se o que se está fazendo é o certo, o adulto atende aos caprichos das crianças, ferindo seus próprios valores e princípios.

O maior prejuízo é que a culpa  enfraquece a possibilidade de construir um relacionamento autêntico e íntimo, que respeita a singularidade da criança, incluindo os limites que ela precisa ter. Como foi dito em outro post, limites é, sobretudo,  “dizer sim sempre que possível e não quando necessário”.

O que fazer então? O melhor caminho para lidar com o sentimento de culpa é refletir sobre o que provoca esse sentimento. Identificar o que gera e mantém o ciclo insegurança-culpa-permissividade ajuda a compreender por que é tão difícil manter uma regularidade e constância nas regras e no relacionamento com as crianças.

Quais são seus objetivos na criação de seus filhos? O que você considera prioritário construir com eles? Quem você acha que seus filhos enxergam quando te veem? Alguém inseguro(a)? Culpado(a)?

Revise os motivos pelos quais você sente culpa. Errou? Peça desculpas. Não encontrou motivos que justifiquem tais sentimentos? Busque a coerência com seus sentimentos e valores ao educar seus pequenos. O desenvolvimento saudável da criança depende, em grande parte, das relações que são construídas com sua família.

Não existe um passo a passo a seguir, a conexão com seus sentimentos te ajudará a ser verdadeiro(a) e íntimo(a) o bastante com seu filho(a) para construírem o melhor caminho e seguirem juntos!

Beijos

Etiene

Etiene Macedo Psicóloga com mestrado e doutorado em Psicologia Clínica (UnB). Especialista em Terapia de Casais e Famílias (PUCGO). Professora universitária. Sócia e colunista do Plin.

2 comentários para “A culpa e o relacionamento genuíno com as crianças”

  1. Ângela da Paixão disse:

    Obrigada por construir comigo um GRANDE caminho de descobertas…. tenho aprendido muito com você! Você tem contribuído muito comigo é um enriquecimento no meu papel de mãe…

    1. Etiene Macedo disse:

      Oi Ângela,
      Que bom saber que o Plin tem lhe ajudado! Em breve teremos novidades!
      Um beijo
      Etiene e Flávia

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