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Quando a criança não quer comer

Quando a criança não quer comer
por Etiene Macedo

A introdução dos alimentos saudáveis na rotina das crianças começa fácil, quando elas ainda são bebê e se torna uma tortura quando elas ficam mais autônomas. Existem crianças seletivas, que recusam, regurgitam e vomitam quando novos alimentos são apresentados.

Para as crianças pequenas, entre 2 e 5 anos, é difícil compreender a importância de manter uma dieta equilibrada e não faz sentido comer alimentos que não são atrativos ou gostosos para elas.

Apresentar e negociar o que comer se torna um sofrimento, os adultos desistem e substituem a opção alimentar inicial por guloseimas, lanches rápidos e mamadeiras.

Em curto, médio e longo prazo, os resultados dessas escolhas se fazem presentes, dentre eles: problemas gastrointestinais, obesidade, subnutrição, cáries, insônia, diabetes, colesterol elevado,  ansiedade e diversos problemas alimentares. Muitos desses problemas podem ser evitados com o estabelecimento de rotinas para a alimentação da criança.

A primeira questão a ser observada é: seja o exemplo. O adulto deve se alimentar de forma saudável na frente da criança. Ou seja, deve fazer as melhores escolhas para que a criança aprenda como selecionar os alimentos. Se um adulto quer que a criança tome sucos naturais, mas ele só toma refrigerante, mais cedo ou mais tarde, ela escolherá os refrigerantes como primeira opção, porque se o mundo adulto é a referência, ela entenderá que a escolha dos adultos é a melhor.

A negociação sobre o que comer também é importante:  negocie de forma positiva. Chantagens do tipo “coma isso, senão…” podem garantir que a criança aceite naquele momento certo alimento, mas não é uma estratégia eficiente para que ela aprenda a buscar voluntariamente as melhores opções no futuro. Por isso, é interessante apresentar mais de uma opção dentre os alimentos para que ela participe da escolha do que comer.

Não obrigue a criança a comer “mais um pouquinho” e aumente gradativamente a oferta do alimento:  ao determinar o que a criança vai comer, negocie a quantidade do alimento e a hora de parar. À medida que esse alimento se torna natural na rotina, a quantidade é aumentada e a resistência da criança ao alimento diminui sem tantos embates. Além disso, a criança aprende a identificar seu próprio mecanismo de autorregulação fisiológica, a sensação de saciedade e a hora de parar.

Mantenha um ritmo regular no horário da alimentação: evite guloseimas e lanches nos intervalos como substituição à recusa que a criança fez da refeição principal. Não se desespere, a fome é um instinto básico de sobrevivência e a criança aprenderá a buscar alimento quando sentir fome. Além disso, ela aprenderá pouco a pouco que existe o momento certo para cada alimento, inclusive as guloseimas.

Com carinho,

Etiene

 

Etiene Macedo Psicóloga com mestrado em Psicologia Clínica, doutorado em andamento em Psicologia Clínica (Unb). Especialista em Terapia de Casais e Famílias (PUCGO). Sócia e colunista do Plin.

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