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Como lidar com pré-adolescentes

por Etiene Macedo

A transição da infância para a adolescência é um momento delicado tanto para a criança como para a família e merece atenção.

O pré-adolescente atravessa um momento de muitas cobranças e aumenta a pressão social para que ele se comporte como um adulto em miniatura. É um período um pouco caótico, em que ele apresenta comportamentos instáveis, extremos e excêntricos.

Algumas vezes a família fica angustiada e se pergunta: “Será que meu filho é normal? Será que estou fazendo o certo?”.

Mas, quem é o pré-adolescente? Ele é aquela pessoa que um dia quer o leite com chocolate quente da mamãe e em outro dia, ele quer dormir de madrugada, sair sozinho e ficar bem distante da companhia dos pais. É natural, por exemplo, que na escola ou com amigos ele queira demonstrar como é independente, maduro e em casa ele ache bom ser tratado como criança.

Ele está reorganizando suas experiências infantis e integrando novas experiências do presente, e é no relacionamento com pessoas significativas que ele constrói as referências para avançar, mas também, para permanecer. Crescer e ser criança ao mesmo tempo.

Manter um ambiente de aceitação e diálogo é fundamental para que esse adolescente saiba que sua família reconhece como legítimas as suas preocupações e angústias. Não existe uma única forma para criar esse espaço, mas alguns princípios são importantes:

♥Escutar e reconhecer como legítimas suas preocupações, opiniões e desejos. Os adolescentes têm preocupações que parecem desnecessárias, mas na verdade fazem parte desse trabalho de reorganização, dessa travessia que eles estão fazendo para responder ao mundo a que vieram.

♥Incluí-los na negociação das regras, desenvolvendo neles o senso de responsabilidade pelo que escolhem e pelo que fazem. Ou seja, estabelecer limites claros, permitir que eles lidem com as consequências das regras que foram decididas pelo grupo familiar.

♥Acompanhar, estar presente,  ter um interesse genuíno pelo jeito de ser adolescente. Eles são sensíveis e críticos. Ao menor sinal de falta de sinceridade, eles se fecham como ostras e aí sim, o distanciamento da família passa a ser preocupante.

A pré-adolescência é também um momento de redefinição dos papéis parentais. É quando se pergunta: como eu vivi a minha adolescência? Que tipo de mãe ou que tipo de pai eu sou? Quem eu sou para meu filho? E quem eu sou para mim mesmo(a)?

As respostas não são fáceis, mas quando há um movimento sincero de aproximação é possível construir caminhos para fazer essa travessia  da melhor forma possível.

Com carinho,

Etiene

Etiene Macedo Psicóloga com mestrado e doutorado em Psicologia Clínica (UnB). Especialista em Terapia de Casais e Famílias (PUCGO). Professora universitária. Sócia e colunista do Plin.

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